3/09/2018

(1917-19) Performance de Rogério Nuno Costa


Foto: “Nude Laying Down On A Couch, D’Après Marcel Duchamp’s Nude Descending A Staircase” © David Pissarra com Rogério Nuno Costa. Primeira residência artística para (1917-19) na Rua das Gaivotas 6, Lisboa, 2017.(1917-19)



9 Março
(1917-19)  work-in-progress, ensaio aberto 
Performance Lab #1 (The Fierce Urgency of Now)
 
Museum of Impossible Forms
 Helsínquia, Finlândia



(1917-19) é o título provisório da próxima performance teatral de Rogério Nuno Costa, uma colaboração trans-disciplinar entre artistas Portugueses e Finlandeses, com estreia em Portugal prevista para 2019. Inspirada na poética do artista solitário enquanto dispositivo visual, literário e dramatúrgico, a peça constrói-se a partir de uma narrativa textual que é auto-, é -bio- e é –gráfica, mas não autobiográfica. (1917-19) propõe a construção de uma parábola sobre a importância (leia-se: necessidade, leia-se condenação) de estar sozinho, mesmo quando rodeado de outros (sozinhos). Para esta primeira apresentação-em-progresso no Museum of Impossible Forms de Helsínquia (Finlândia), será testada a presença do silêncio e da invisibilidade/inevitabilidade na estrutura dramatúrgica da performance.


Em 1917, Duchamp escreve 1917 num urinol virado do avesso; em 1919, desenha um bigode no mais canónico retrato da história, não o original (Duchamp não é Banksy), também não a reprodução (a Pop não havia ainda sido inventada), mas um retrato “igual” pintado por ele, ou copiado do “original”, ou então um gesto em forma de renúncia: I prefer not to. Cem anos depois, ainda não sabemos o que fazer com o que ele terá feito. Mais do que um mero gesto transgressor, ou o profético anúncio de uma certa ideia de Fim (da arte e não só), o epifenómeno centenário esconde um programa mais obscuro: como se fosse impossível fazer mais depois de se ter obliterado tudo, abraça-se um auto-infligido ostracismo, um isolacionismo “conceptual”; Duchamp dispende décadas a fazer “nada”. Por isso Vila-Matas lhe dedica algumas notas de rodapé no seu Bartleby & Co., o não-livro dos autores-do-não, aqueles que mandaram calar a pena para deixar o silêncio falar. Reformular esse investimento de sentido na inevitabilidade do desaparecimento significa, hoje, podermos abraçar o abandono, o esquecimento, quiçá o desprezo, como um acto — o único possível — de resistência.




(1917-19)
Performance de Rogério Nuno Costa

(1917-19) (work-in-progress/open rehearsal), Performance Lab #1 (The Fierce Urgency of Now), Museum of Impossible Forms (Helsinki, Finland), 9th March 2018.


(1917-19) is the working title of Rogério Nuno Costa’s upcoming theatre work, set to premiere in Portugal in 2018/19, a cross-disciplinary collaboration between Portuguese and Finnish artists. Taking the poetics of the solitary artist as a visual, literary and dramaturgical starting point, the piece will be based in a textual/autobiographical narrative in the form of a “dialogical monologue”, or the building of a solitary togetherness. For this very first work-in-progress presentation in the Museum of Impossible Forms (Helsinki, Finland), the presence of silence and invisibility in the performance’s dramaturgical structure will be tested.

In 1917, Marcel Duchamp writes 1917 in an upside-down urinal. In 1919, the same artist  draws a moustache in the most important portrait of the history of art, not the original one (he’s not Banksy), not even a reproduction (Pop was yet to be invented), but a portrait he painted himself, copying the “original”, and, by doing so, stating: I prefer not to. One hundred years later, we still don’t know how to deal with those radical endeavours. More than clever attempts to revolutionise, shock or transgress the art world (or to prophesy the End of Art, some might have said), those historical epiphenomena hide a more obscure quest for a self-imposed ostracism and loneliness, as if it was impossible to do anything more after having obliterated almost everything. Duchamp spent decades doing nothing at all, the reason why Vila-Matas dedicated some footnotes to him in his Bartleby & Co., a non-book of “negative authors”, those who have decided to stop pushing the pen and let their silence do the talking instead. I am now interested in reformulating Duchamp’s questioning, assuming self-neglect and oblivion as an act of resistance. How can I reactivate a centennial gesture while facing my own ephemerality?

Picture: “Nude Laying Down On A Couch, D’Après Marcel Duchamp’s Nude Descending A Staircase”, performative  photograph by © David Pissarra with Rogério Nuno Costa. First residency for (1917-19) at Rua das Gaivotas 6, Lisbon, 2017.

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