1/01/2007

CHE DIAVOLO FATE? de Luís Carolino


Tendo como matéria de trabalho o universo do espectáculo de ópera oitocentista, Che Diavolo Fate? desenvolve-se à volta de tudo aquilo que faz com que a paixão pela ópera enquanto género artístico se mantenha e perdure: um sentir que ultrapassa toda a lógica; um excesso que nunca é suficiente; uma loucura trágica e uma raciocínio dramático que, sim, as mais das vezes não fazem sentido, mas que são irresistíveis.

Um tributo, também, à voz humana enquanto instrumento, quase um fetiche, que sempre me fascinou.
Luís Carolino, 2009

Ficha Artística:

Criação, Direcção e Composição Coreográfica: Luís Carolino
Música: La Traviata, de Guiseppe Verdi (excertos)
Banda Sonora e Sonoplastia: Luís Carolino
Criação e interpretação: Susana Otero, Rui Marques, Sara Costa Leite e Flávio Rodrigues
Figurinos: Luís Carolino
Desenho de Luzes: João Teixeira
Execução de figurinos: Ana e Rosa Almeida
Canto e apoio vocal: Pedro Teles
Carpintaria: Ricardo Santos
Design Gráfico e fotografia: Patricia Costa

NOCTURNO de Luís Carolino

 


Uma mulher da vida, um homem solitário e uma falsa suicida habitam um espaço vazio.
Nocturno assume-se como uma visita à vida destas três personagens guiada pela própria Morte, a quarta personagem em cena, que nos fala a todos na primeira pessoa; fala-nos de si, do seu «trabalho», e de como nos vê. Um olhar muito próprio, implacável, terrível, mas, ao mesmo tempo, quase maternal: uma reflexão sobre esse incrível e improvável grão de tempo que é a nossa vida, o tudo-nada durante o qual somos.
Nocturno é uma incursão no nosso lado mais escuro, não necessariamente o nosso lado mais negativo, apenas o mais privado e secreto; o lugar de todos os medos e todas as ternuras, o reino da sensibilidade, da intimidade; o sítio onde nos encontramos com nós próprios.
Uma certa e solitária melancolia encontra-se com o mal de vivre contemporâneo deste nosso mundo que parece ter perdido o pé.
Isto assusta-nos, muito, mas é preciso não ter medo.

Luís Carolino, Maio 2008